| Teatro | |
Em out/04, Nany di
Lima, atriz e diretora de teatro, convidou-me para escrever uma peça, propondo como tema
"o relacionamento amoroso entre Mário de Andrade e Anita Malfatti". Sabia pouco
sobre os dois, sequer que tinham tido um relacionamento amoroso. Fui pesquisar, e descobri
que não tiveram! Então, que diabo de pedido tinha sido esse?Escrever Quási foi uma das experiências mais complicadas por que passei. O texto nunca parecia bom, e não me parece até hoje. Faltou dizer, faltou afinar o que foi dito, faltou calar. E, mesmo insatisfeito com meu trabalho, fui varado e despedaçado por todas as emoções possíveis de se sentir. Prometi a mim mesmo que jamais escreveria outra peça de teatro. Mentira. O espetáculo estreou na Sala Paulo Emílio do Centro Cultural São Paulo em jun/05 e ficou em cartaz até o começo de agosto.
|
|
| Ficha técnica do espetáculo | |
| texto Albano Martins
Ribeiro direção Nany di Lima elenco Chico Neto, Vanessa Portugal concepção Chico Neto, Nany di Lima, Vanessa Portugal trilha sonora Teco Galati e Célio Barros vozes Luciana Grillo, Teco Galati e Célio Barros figurino Osvaldo Gonçalves cenário André Cortez assistente cenografia João Carlos da Silva iluminação Marisa Bentivegna preparação corporal Silvia Gaspar operador de luz Naza Thomas operador de som Felipe Viciolle produção Vanessa Portugal
|
|
| Um trecho | |
| Cena 4 - Lavando a roupa
suja (II) Anita entra com Mário no seu encalço, falando em tom de desculpas. Mário: Mas eu deverei agora ser punido por lhe dar carinho? Tudo aquilo como você diz era a expressão do meu amor. Anita: Amor? Mário: Sim, amor. Diferente do seu, mas amor. Anita: O seu não era amor. Mário: Não diga isso. Não me culpe por não amá-la, não me puna por ter lhe mostrado meu modo puro de amar. Você só não conseguiu entender. Anita: Puro? E a carne é impura? (afronta-o, exibe o corpo) Há algo sujo num amor que um lençol amarrotado não consiga limpar pela manhã? Eu o desejei em cada minuto da minha vida desde que o conheci. E depois passei a vida esperando, esperando. Sofri sua inexistência misturada à sua presença constante, diária, pairando pela minha casa, escorrendo pelas paredes como tinta velha, que não havia meio de limpar, não havia como me livrar daquele fantasma, que estava ali só para me ver envelhecer... Mário: (triste) Desculpe. Anita: E recebia cartas, cartas, cartas! (imitando-o) Fiz isso! Fiz aquilo! Conheci tal pessoa! Não-sei-quem viajou! Chegou não-sei-quem! Subi no bonde! Desci do bonde! (voltando) E os poemas, os malditos poemas! (grita de ódio) Os malditos poemas falando de amores que não eram eu! Escuro
|
|
| Uma crítica | |
|
|
Lulu Carabina vai ao teatro... ...e fica satisfeita com o que vê por Lulu Carabina
Leia a matéria na íntegra.
|